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Sobre a Festa do Avante

Quinta-feira, 03.09.20

 

 

 

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Para que não haja dúvidas informo os putativos leitores de que não sou parte diretamente interessada neste “caso”. Fui a todas as festas até à mudança para o recinto onde hoje decorrem. Desde aí nunca mais as frequentei. Não tentem encontrar nisto algo de ideológico ou de repúdio pela Festa. Ela foi um dos mais valiosos eventos culturais do País durante muito tempo. Depois, com a proliferação de festivais e concertos terá perdido um pouco esses louros, mas continuou a ser muito importante, como acontecimento cultural, e não apenas para os comunistas. A razão para deixar de participar tem apenas a ver com o pouco gosto que tenho pela condução e porque, no primeiro ano de Atalaia me vi metido em engarrafamentos monstruosos e na dificuldade de estacionamento. Assim, por este desgosto, por preguiça, por substituição e pela recordação do difícil trânsito, desabituei-me e nunca mais fui.

 

Desculpem-me esta longa justificação, porém ela é importante para me situarem na posição que tomo.

 

Primeiro o PCP tem toda a legitimidade para fazer a sua Festa. Terá, contudo , de limitá-la às prescrições da Direção Geral de Saúde, as quais parece está a acatar.

 

Segundo discute-se a sensatez de se a deveria fazer neste momento de Covid-19.

 

A discussão é justa, faz sentido e, teremos de considerar que o perigo de ali nascer qualquer surto é real. No entanto, também o é nas praias, nos transportes, nos restaurantes e no trabalho, assim como em inúmeros locais por onde transitamos e que seria fastidioso enumerar.

 

Por quê então tanto ruído. Se pensarmos que muitos dos que se revoltam contra a efetivação destas festas são aqueles que defendem a assistência a futebóis, touradas e outros eventos, bem como da revolta contra a prescrição do uso de máscaras, ficamos desconfiados que tudo isto resulta  apenas por ser o PCP a realizá-la. E aí somos transportados para a desconfiança de que razões obscuras (ou nem por isso), diferentes das sanitárias apresentadas, estarão por detrás desses clamores.

 

O Covid veio para ficar. Enquanto vacinas e medicamentos atuantes não sejam produzidos e distribuídos, teremos, em qualquer passo da vida, mesmo em nossa casa, de conviver com o risco. Sabem, a vida é tão perigosa que até conduz à morte. É  e será sempre uma questão de cálculo entre o risco a correr e o benefício a usufruir. Isso é coisa que dependerá do juízo de cada um.

 

Na minha opinião – e nada vale além disso – teria havido sensatez se o PCP se tivesse decidido por qualquer outra forma de festividade e participação. No entanto tal é decisão que só às suas estruturas cabe tomar. Por elas terá o prémio ou castigo que o povo considerar merecerem. O PCP tem toda a legitimidade de levar a sua festa Avante! As pessoas têm o direito de ir ou não ir, assim como podem continuar a viver ou, por medo, enterrarem-se em casa cortando todos os laços sociais, porque hoje, até respirar é perigoso.

 

 

 

 

 

 

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publicado por Carlos Alberto Correia às 18:16


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