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Memórias XVIII – trago um país

Sexta-feira, 09.10.09

Foto de BlueShell

trago comigo
um país achado em Portugal
trago um país meu
por final

trago comigo um país de mel e poesia
um país de vinho
um país amargo
trago um país que há muito não havia
e que foi encontrado ao largo
de si mesmo

trago um país repartido a esmo
um país vizinho e longe
em vento e tortura abandonado
num país de novo construído
de novo este país foi encontrado

levo comigo um país de tempos idos
um país que não volta
sem saudades
trago num sorriso à rédea solta
um país que me fala de verdades

digo trigo e pão e primavera
o sol nasce
digo tempo era
e hoje faz-se
o país que em mim trago ousadamente

tenho uma pátria trago um país agora
enormemente



Lisboa, Primavera de 1974

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publicado por Carlos Alberto Correia às 11:26


1 comentário

De Pedro Luso de Carvalho a 20.01.2010 às 18:57

Este poema é muito bom, quer pelo tema, quer pela imagens poéticas, para falar o mínimo. Parabéns.

Um abraço,
Pedro Luso.

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