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Estou chateado!

Terça-feira, 05.06.18

 

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Pois estou e bastante! Sei ainda que, ao escrever este artigo, irei ficar pior, porquanto uma chusma de amigos virão declarar a irrazoabilidade das minhas posições, trarão à superfície o meu, já consabido, pendor extremista, perorando sobre a virtude da contenção, do meio-termo e, alguns, esquecidos dos conselhos morigeradores, com os quais virão mimosear-me, deixarão mesmo de me falar ou de, em público, serem vistos na minha nefasta companhia. Paciência!

 

No entanto, teimosamente, continuarei, contra ventos e tempestades, a proclamar o forte ressentimento relativo a algumas posições deste Governo – que ainda apoio – mas que me anda a causar borborigmos intestinais cada vez que sinto fortalecerem-se os argumentos, por mim expressos em artigo aqui publicado, quando Marcelo ganhou a Presidência.

 

Dizia eu, recordando os distraídos leitores, que o seu apoio à Geringonça duraria até conseguir correr com Passos Coelho da chefia do partido, favorecer a entrada da sua gente e, a partir daí, manobrar no sentido de sintonia cada vez maior entre os partidos Socialista e Social-democrata. Claro que, entretanto, não se importaria de fazer umas selfies com o tio Jerónimo e a prima Catarina, enquanto veria, contrariado e de sorriso afivelado, caírem nas malhas da justiça alguns amigos, muito impossibilitado de lhes valer com mão segura. Enfim, contrariedades que algum dia poderão ser remediadas.

 

No entanto, instam-me vocês, porque é que estás chateado se já presumias o sentido da “coisa”. Pois, replico, além de muitas outras que poderia, fastidiosamente, transportar para aqui, vêm-me à cabeça a contagem de tempo de trabalho dos professores e a questão das reformas.

 

Primeiro, não percebo como poderão elidir-se quase dez anos de trabalho efetivo com a desculpa de, se for contado o tempo total, isso representar um custo insuportável para as finanças públicas. Vamos lá a ver se percebo. Os professores trabalharam esses quase dez anos todos os dias, ensinaram matéria, levaram alunos a exame, trataram da imensa burocracia a que os vêm sujeitando e agora vem um ministro dizer que todo esse tempo de trabalho não conta como trabalhado!? Desculpem, não percebo a lógica. Como é que se declara administrativamente inexistente um decurso temporário bem delimitado? Que passe de mágica é esse? Qual o sentido de trocar dez anos de vida por três de carreira? Abstrusa matemática esta! Que sumidade a percecionou? Depois a culpa é do Sindicato por não perceber que, na aritmética do ministro, três é igual a dez. Ah! Cabecinhas tontas incapazes de perceber o ilusório dos números. Pois então não está provado que dois mais dois são três? É somente uma questão Quântica!

 

Segundo:  as reformas antecipadas. Andava para aí em sussurro a possibilidade de retirar a penalização dos treze por cento e estudar o alívio das penalizações mensais, para permitir que gente doente e cansada pudesse reformar-se e dar o lugar a jovens os quais, por falta de trabalho, continuam a abandonar o país. Pois, andar andava, mas, quando se chegou ao momento da verdade aconteceu o inverso. Aumenta-se a idade da reforma e a penalização a desaparecer, não só não se extingue, como é aumentada.

 

A isto, e muito mais, (não curo falar do Serviço Nacional de Saúde, nem de outras questões relativas à Educação) reponde-se com o infalível argumento de não haver dinheiro e eu pasmo. Passam-me céleres pela cabeça o nome de uns tantos bancos, de somas astronómicas e até vejam lá, de um Banco Bom, já vendido a privados, no qual ter-se-á de “enfiar” mais uns milhõezitos. E, para esses, o dinheiro aparece sempre. Insondável mistério!

 

Na realidade o lado europeísta deste Governo (PIB, dívida e obediência aos ditames de uma comissão não eleita, burocrática e neoliberal) acentua-se dia a dia. Se não estou em erro foi para corrigir uns quantos males suscitados por certas opções que a Geringonça se formou e não para o contrário. Foi um passo positivo, sem dúvida, mas parece estar a seguir um caminho que só pode conduzir ao desmantelamento. Se calhar é por isso que vemos tanta gente, à espera de qualquer coisa indizível, a assobiar para o lado.

 

 Isto, sinceramente, chateia-me!

 

(Publicado in Rostos Online)

 

 

 

 

 

 

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publicado por Carlos Alberto Correia às 16:32








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