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Memórias 9 - o amor da minha amada

Sexta-feira, 25.07.08



o amor da minha amada

não é só os lábios mas o modo de beijar


mais que os olhos de olhar

é a saudade distância

o amor da minha amada


nos tempos desse amor (ela uma rosa)

tacteei-lhe a medo o corpo

e mais afoitamente conheci-lhe os desejos


em cada pétala do seu corpo

eu fui o estame o pólen

e até me abri em asas de abelha


o lume que ela era todo ternura

queimou-me carne a carne


cada vez que a mim cedia

conquistava-se um pouco mais


de cada tentativa de pecado

saíamos mais puros e transigentes


às vezes vivíamos na calma das noites estivais

e outras não

fomos mistério e conquista

nunca duas vezes o mesmo


foi nestas lutas que o amor da minha amada

me conquistou


nunca as palavras nos custaram

nem nos envergonharam os sentimentos


construímos teorias destruímos preconceitos

um dia descobrimos que não éramos perfeitos
Évora, Fevereiro de 1968

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publicado por Carlos Alberto Correia às 11:41