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Porque o voto é secreto

Sexta-feira, 14.01.11


Porque o voto é secreto não vou dizer que já escolhi, na pessoa do candidato José Manuel Coelho, o recipiente do meu voto. Claro que não é um candidato ganhador, nem como tal ele se assume. Fala porém chamando os nomes às coisas, sem medo nem rebuço. Ora aqui está um político que é, com eficiência, um antipolítico. Não utiliza o exercício de distanciação e ocultamento do inefável Sr. Silva; não tergiversa como Alegre; não se mostra bonzinho e compassivo como Nobre e não tem o encargo de manter os militantes agrupados como Lopes. Tem apenas de ser ele e, como tal, propor-se ao escrutínio. Nos tempos que correm já é bastante.

Mostrando de si uma face pícara nas arruaças com o jardinismo, oculta um saber e experiência da coisa pública que tem vindo a revelar, pouco a pouco, nos tempos de antena e entrevistas que o estão a tornar um caso de rápido reconhecimento. Para ele o trabalho político é resistência. É velar para que a separação dos poderes seja uma realidade e não algo que se proclama no âmbito dos princípios e se esquece na prática dos dias. É reconhecer que a situações diferentes se aplicam estratégias diferenciadas. É afirmar que um operário da construção civil pode ter conhecimentos e aplicá-los a bem da população. É não temer o confronto com os golias das várias governações e afirmar os direitos de David apesar das desproporções que parecem, obviamente, condenar ao insucesso qualquer veleidade de resistência.

Nele repousa a prova iniludível da possibilidade de resistir nos mais difíceis terrenos. Nem mesmo os dislates do Sr. Alberto João o têm amedrontado. Nem os processos judiciais, sempre a bater nos mesmos, o levam a arrepiar o caminho traçado. Sabe o que quer, é inteligente e capaz. Será perfeito? Certamente que não! A Democracia não necessita de anjos mas de homens. De homens capazes de dizer quando o rei vai nu e não de cortesãos cegos por subserviência.

É populista e perigoso? Talvez um não sei quanto, concedo. Mas é muitos menos que aqueles que, sem coragem para ser o que realmente são e na falta de outros argumentos, o acusam de tal. Não o levam a sério? Fazem muito mal. Ele não é o “clown” que, para aparecer, simulou ser. É alguém que sabe como iludir o cerco que as burocracias partidárias fizeram à Democracia. É o gosto do risco e da descoberta. Vale a pena estar com este voto minoritário mas de grande valor simbólico. Descubra-se de novo a capacidade de rir dos poderosos que nada temem senão o ridículo. E como ele, com palavras e atos, o põe tão claramente a descoberto. Depois das eleições, conforme o seu resultado, os paxás vão tentar integrá-lo ou desintegrá-lo. Que ele tenha força e saber para continuar a resistir no contrapoder a que se propôs e não deixe por mãos alheias o zurzimento dessas personalidades cinzentas convencidas que são a luz do mundo. Necessário é que sempre surja um profeta, mesmo que só anuncie desgraças, para manter ativas as mentes dos cidadãos. Por agora ele decidiu de livre vontade assumir esse papel. Por isso estou com ele e lhe entregarei, embora vocês o não saibam, a confiança do meu voto. Não para que seja presidente da República mas para que no coro das unanimidades, pretensamente diferenciadas, surja uma nota desafinada a desafiar a interpretação de mais profundos significados.

Agradeço-te José Manuel Coelho o atestado de sanidade com que presenteias este povo. O qual, tu sabe-lo bem, não poderá ainda compreender-te.


Publicado in “Rostos on line” – http://rostos.pt

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publicado por Carlos Alberto Correia às 14:27


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