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poema de leiria da tarde e de maria

Terça-feira, 29.04.14

 

 

 

I

a porta fechou

as praias são só areias

os países naufragam nos jornais

 

correr correr

e nem sequer é domingo

em que embrulhos se meteu a vida

nas tardes das naus

 

já leiria perdeu os seus pinhais

 

o pintor

em parte incerta

desconhece que a tarde só é tarde

quando dói

 

maria

olha a vida da confeitaria

frente ao hospital

 

ademais

 lembrem-se dos que sofrem

aqui

é proibido buzinar

 

já leiria perdeu os seus pinhais

 

os poente de outono

são das poucas coisas da minha terra

que não têm dono

 

II

 

por sua vez o tejo

encheu-me as unhas com partes de poemas

por isso

quando os lustres se acenderem

vou agarrar-te na alma e correr pelo rossio

após a meia-noite

quando as orações das bruxas

instauram raivas nos centauros

 

desligas o telefone desligando a vida

hoje os faquires vão ao cinema

e amanhã irei à florista perguntar se a cor dos goivos

é a difícil revelação da verdade

 

não haverá janelas que falem

sobre um homem sozinho na cidade

 

evidentemente

à tarde

 

carlos alberto correia

 

 

 

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publicado por Carlos Alberto Correia às 12:44








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