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Memórias XVIII – trago um país

Sábado, 12.04.14

 

 

 

 (Gráfico de Pedro Correia)

 

 

trago comigo

um país achado em Portugal

trago um país meu

por final

 

trago comigo um país de mel e poesia

um país de vinho

um país amargo

trago um país que há muito não havia

e que foi encontrado ao largo

 de si mesmo

 

trago um país repartido a esmo

um país vizinho e longe

em vento e tortura abandonado

num país de novo construído

de novo este país foi encontrado

 

levo comigo um país de tempos idos

um país que não volta

sem saudades

trago num sorriso à rédea solta

um país que me fala de verdades

 

digo trigo e pão e primavera

o sol nasce

digo tempo era

e hoje faz-se

o país que em mim trago ousadamente

 

tenho uma pátria trago um país agora

enormemente

 

Lisboa, Primavera de 1974

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publicado por Carlos Alberto Correia às 11:52








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