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tema de solidão IX

Sexta-feira, 02.11.12

 

 

 

por vezes escrevo

como quem luta

outras

como quem disfruta

do modo

da conduta

 

o importante é agarrar

a frase o lento murmurar

por dentro da palavra

 

o importante é descobrir

o senso que oculta

 

porque conhecer é desconhecer inicialmente

o resto é a semente

com que se emprenha o futuro

 

às vezes a palavra tem um muro

onde se esconde deusa refratária

 

contra a palavra invisto

nesse tempo

a palavra é um silêncio

que se recusa

e contra mim atenta

 

outras vezes desliza

é fio de água

ribeiro a correr nos roseirais

onde os peixes passam

átomos originais

 

assim a palavra se revela

se obstina ou se rebela

criando esta tensão

que me percorre

no silêncio ou no grito

em que se morre

 

palavra cujo império é a palavra

edifício construído sobre o nada

que é o ar a sílaba modulada

 

assim entendo o meu campo

a minha lavra

como lavrador me angustio

se o tempo não convém

à sementeira

 

mas sempre no inverno

ao som do frio

no meio da solidão onde me ostento

ponho as minhas palavras

na fogueira

 

 

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publicado por Carlos Alberto Correia às 13:30








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