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O erro (de) Vital

Sexta-feira, 10.04.09



O PS de Sócrates tem pela frente, a nível nacional, um problema muito complexo. Mal comparadas as coisas é como o mistério da Santíssima Trindade. O três que é um! Só que aqui o Pai, o Filho e o Espírito Santo que encarnam um só Deus, é substituído pelas eleições europeias, legislativas e autárquicas, que sendo três, só uma transparecem. Isto porque por mais que a direcção do PS queira, por motivos de crise e feição de governar, elas se tornam todas em uma única e continuada forma de avaliação do governo. Não é má ironia para quem tanto defende as avaliações a qualquer preço. Como diz o outro, pela boca morre o peixe e, desta forma, um problema político pode transforma-se numa peroração teológica.

Apertado, agora, pela sua colagem ante-crise ao neoliberalismo, vê-se Sócrates na obrigação de contrapor, à efectiva prática de direita, um discurso de esquerda. Choca –se, no entanto, com a constatação diária das malfeitorias perpretadas contra as classes médias nacionais, com os apoios desmedidos ao capital e com a tremenda alergia a legislar contra a corrupção e o enriquecimento ilícito. Sabe Deus porquê!

Para tornar mais credível a vã retórica esquerdizante, também para tentar separar as eleições europeias das legislativas, procurou um cabeça de lista, parecido independente, que apresentasse algumas credenciais de esquerda. Na limitada visão do mundo em que circula ninguém lhe pareceu mais adequado que o constitucionalista Vital Moreira. E sê-lo-ia não fora o caso deste insigne Doutor ter, de há muito, iniciado um desvio de direita por colagem excessiva ao Governo Sócrates, em tudo quanto é texto publicado e posição assumida. Que o senhor tem todo o direito de escolher as companhias que prefere é coisa que não se discute. Já a sua representação do real cabe inteiramente na nossa crítica e avaliação. O que vem ressaltando dos seus posicionamentos é um comportamento de barata entontecida na tentativa de se colar na órbita de um governo absolutamente desorbitado. Do Vital Moreira atentamente escutado por tudo quanto de esquerda se assumia, já nada resta e por tal, esta escolha revela-se um erro Vital para o PS.

Mas também é um erro Vital de Moreira.

De tal forma isto é assim que, na esteira de uma intervenção de Mário Soares, criticando o apoio do PS a Durão Barroso para a reeleição ao parlamento Europeu, logo Vital Moreira, vem a terreiro defender que os Partidos Socialista Europeus deveriam apoiar um candidato próprio. Elementar meu caro Watson, dirá qualquer pessoa. Pensou-o e disse-o Moreira. Só que não compreendeu que o PS de Sócrates circula nas mesmas linhas de pensamento político do trânsfuga Durão “malgré lui”. Como muito bem tem sido apontado ele é o único que resta da fotografia dos Açores. Todos os outros foram já corridos da área do poder marcados que estão pela guerra e pela crise. O erro deste PS é não perceber que quem patrocinou tão fortemente a política Bush, por mais golpes de rins que dê, não poderá oferecer confiança a quem apoia o seu inverso, isto é, a visão Obama do mundo.

Entalado entre as suas contradições Sócrates tem de vir reafirmar o apoio “patriótico” a Barroso acelerando os movimentos paroxísticos da barata que já não sabe se há-de fingir de morta, levantar voo e partir, acabando, no entanto, para maior descrédito, por dar o dito por não dito. Mais um erro de Vital Moreira, obrigado a “explicar” que o que disse sobre apoio a um candidato próprio queria dizer o contrário daquilo que disse. Estão a ver a embrulhada? O descrédito e a gargalhada? Pois é assim mesmo que vai a candidatura independente às europeias com a imagem inquieta de um candidato tão dependente que terá sempre, antes de falar, que ir ouvir o que há-de dizer ou, caso tal as pressas não permitam, trazer no bolso o seu discurso e o contrário.

Enfim, servidões de quem serve o poder.

Se olharmos para as autárquicas, mesmo não havendo nelas, um erro Vital, também, para mal dos resultados PS, a maldição do Governo vai estar patente e com efeitos perceptíveis. Se em condições normais o PS tem nestas eleições uma forte pressão PSD, este ano ela será mais forte e acrescentada pela erosão, na sua franja esquerda, causada pelo efeitos desastrosos da política governamental nas condições de vida das populações. A perda de poder de compra, de condições de saúde, habitação e reformas e os ataques destemperados aos professores, entre muitas outras coisas, criaram um sedimento de má vontade eleitoral, mesmo dentro do partido. Não sei como poderá Sócrates ultrapassar o inferno que criou, mas creio bem, para melhoria de todos nós, que ele irá sair muito chamuscado nestas eleições.
Assim o creio e assim, firmemente, o espero.


Publicado in “Rostos on line” – http://rostos.pt

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publicado por Carlos Alberto Correia às 13:06


1 comentário

De Henrique a 26.04.2009 às 11:54

Vital Moreria é, também, um erro para o PS e para Sócrates, porque não há espaço nenhum no Universo onde caibam simultanemante dois cagões como são Sócrates e Vital Moreira. Um destes dias vão-se dar mal.

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