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Ela de coração parado

Quinta-feira, 17.03.16

 

à memoria de Elis Regina

 

elis.jpg

 

 

é sempre assim que chegam as notícias

repentinas absurdas e brutais

tudo fica parado como cartaz

em muro de silêncio

gente isolando mágoas

em fundo de ruídos de atabaques

 

todos iremos um dia e este encontro

como tu foste inesperada e breve

apartando olhos em colares noturnos

tecidos da morte de cada um de nós

 

preciso agora da dureza das palavras

para enfrentar o momento aguçar a pedra

e profanar a alma desse deus de impudica grandeza

firmada sobre o inútil de sentirmos

como se morre na lentidão dos dias

sempre mais incompletos e sós

 

acredite-se embora que na morte

continue a vida de outro modo

não se percebe porque se cala a voz

e o esquecimento se instala

amarelecendo imagens vivas e reais

 

borboletas de sombras em mar esmaecido

ou comprido nevoeiro que se adensa

a minha mágoa é mão que arrefece

na janela do comboio perante a noite

 

canto na ribalta a deceção

da hora em que se cai sobre a notícia

de um corpo abandonado

 

que desse desejar animador da voz resta ela

de coração parado

 

 

(faria hoje 71 anos)

 

 

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publicado por Carlos Alberto Correia às 17:31








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